
Eles merecem uma atenção especial, afinal de contas estão presentes em todos os lugares por onde passamos, fazem parte da paisagem. Parece que estão por toda a Índia, não somente em Tamil Nadu.
Eles são grandes e barulhentos. Avisam com seus gritos roucos que estão por perto, quando não muito perto: se der bobeira, perde o lanche.
Estive pesquisando e encontrei alguns mitos e curiosidades bem interessantes:


Por sua cor negra, o corvo é associado à idéia de PRINCÍPIO (noite materna, trevas primigênias, terra fecundante...); por seu caráter aéreo, associado ao CÉU, ao PODER CRIADOR E DEMIÚRGICO; às FORÇAS ESPIRITUAIS; por seu vôo, MENSAGEIRO. Por tudo isso, ele aparece na mitologia dos povos primitivos como um ser investido de extraordinária significação cósmica: ele é o grande civilizador e criador do mundo visível.
Apesar de os corvos habitarem regiões secas, é notável as inúmeras associações dele com a água. Talvez as mais comuns tratam de sua ligação com as tempestades: é sabido que os corvos recolhem-se sempre que há iminência de chuvas fortes; isso gerou a crença de que são capazes de prever tempestades. A observação de seu comportamento tornou-se, então, um bom fator de previsão meteorológica.
É interessante notar que muitas fábulas envolvem corvos e corujas como antagônicos. Certamente incorporam reminiscências muito antigas relacionadas à oposição dos corpos celestes: Lua (coruja) e Sol (corvo). Uma tradição grega afirma que os corvos jamais penetram a acrópole exatamente por causa disso: a rivalidade entre Apolo (Sol/corvo) e Atenas (Lua/coruja), obviamente uma derivação de lendas de contraposição dia-noite.
Na Europa Cristã, o corvo perde esta gigantesca valorização. Por sua associação pagã aos deuses, sem falar na sua cor negra e voz rouca, adquiriu uma simbologia sinistra e uma ligação com maus espíritos. Falam de santos atormentados no deserto por demônios em forma de corvos e de bruxas que os cavalgavam. Shakespeare faz inúmeras menções ao corvo como ave mau-agourenta: acreditava-se que o esvoaçar crocitante de corvos sobre alguma casa onde houvesse alguém doente, sobretudo ao entardecer, era sinal de morte iminente. Esse misterioso relacionamento com a morte decorre do fato de a presença de corvos no céu indicarem, aos caçadores, a proximidade de carniça.
Apesar de toda propaganda negativa dos cristãos em relação ao corvo, ele nunca perdeu seus atributos místicos. Como o poder, a ele atribuído, de uma capacidade especial para predizer o futuro. A observação do hábito de os corvos devorem primeiro os olhos dos cadáveres associado à grande eficiência ocular dessa ave (capaz de localizar uma carniça a enormes distâncias) , levou à crença de que, se um cego tratasse os corvos com benevolência, poderiam recuperar a visão; quem comesse três corações de corvo reduzidos a cinzas, viraria um exímio atirador. Além disso, como enxergar longe é uma forma simbólica de se descrever o dom da clarividência ou antecipação do futuro, a ingestão de corações de corvos também podia dar às pessoas o poder profético – atribuído à essas aves. Essa reputação oracular subsiste até hoje em algumas ilhas britânicas. A expressão irlandesa "conhecimento de corvo" , é uma figura de linguagem para indicar conhecimento e percepção de tudo.

